Love Story humaniza Carolyn Bessette em meio ao espetáculo midiático
Ryan Murphy acerta em sua nova antologia, desta vez apostando no gênero romance.

Quando se trata de figuras midiáticas que, de alguma forma, fizeram parte da história de um país, o cuidado se torna crucial em uma adaptação biográfica. Mesmo que a nova antologia de Ryan Murphy deixe claro que qualquer semelhança no retrato das figuras trabalhadas seja mera coincidência, existe um cuidado ao abordar esse casal que esteve sob os holofotes nos anos 90.
Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette* retrata o romance intenso e turbulento entre JFK Jr. e Carolyn Bessette nos anos 90. A trama explora o casamento de alto perfil, a pressão constante dos paparazzi e os conflitos íntimos que culminaram no trágico acidente aéreo do casal, em 1999.
A Fórmula Murphy

Existe uma estética que molda a forma como a série quer que enxerguemos a realidade vivida pelo casal. É como se Ryan Murphy pegasse os melhores elementos que fizeram O Diabo Veste Prada ser um sucesso e os usasse a favor do arco de Carolyn, enquanto o restante da estética parece altamente inspirado em produções românticas dos anos 90. Essa fórmula funciona muito bem quando entendemos que Murphy sempre estabelece padrões em suas produções, principalmente em suas antologias.
Diabo Veste Carolyn

A época é um elemento crucial para entender como a pressão midiática em torno da figura feminina era ainda mais intensa em períodos já passados. A crítica gira em torno do motivo pelo qual uma das mulheres mais bem-sucedidas do ramo da moda acaba sendo conhecida como esposa de um homem importante, quando nenhuma mulher deveria ser resumida a ser parceira de ninguém.
A figura masculina se torna um mártir; já a feminina é observada para, no primeiro deslize, ser julgada pela mídia. A dúvida de Carolyn sobre continuar ou não com John não se trata apenas de amor, mas de decidir se largar tudo para viver à sombra de um homem que ama realmente vale a pena, principalmente quando sua carreira está em ascensão.
Até Mais, Companhia

Love Story pode se arrastar em alguns momentos ao apostar, por episódios demais, em clichês bastante batidos do gênero romântico. Só que a série funciona melhor justamente quando vai além dessa fórmula. Mesmo sem o compromisso de ser totalmente fiel aos fatos, existe um interesse quase inevitável em acompanhar a intimidade de figuras que fizeram parte do imaginário popular. No fim, mais do que vender uma história de amor, a produção encontra força ao retratar um casal controverso, exposto e humano.

Leonardo Bahia
Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.
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