Entre um ritmo mais cadenciado e o brilho da química entre Lucy e o Necrótico, a série do Prime Video reafirma que a ganância humana é o verdadeiro motor do apocalipse.

Ambientada 200 anos após uma grande guerra nuclear devastar parcialmente o planeta, habitantes de luxuosos abrigos radioativos são forçados a retornar ao universo complexo, estranho e altamente violento que os espera na superfície.
A nova temporada de Fallout mostrou-se 100% comprometida com o público ao manter um nível de qualidade superior à sua temporada anterior.
O segundo ano se passa, em boa parte, em New Vegas, cidade que "resistiu" à catástrofe nuclear e é considerada um oásis se comparada ao restante da superfície (os Ermos). Com uma trama um pouco mais cadenciada, mas que não perde o ritmo, a temporada acerta ao trazer revelações chocantes sobre o passado de personagens como Hank McLean (pai da Lucy, interpretado por Kyle MacLachlan) e sobre a corporação Vault-Tec. A fidelidade à lore também se mantém intacta, entregando o que muitos fãs consideram o ponto alto da adaptação.

(Cidade de New Vegas na 2⁰ temporada de Fallout)
Os personagens brilham em cena mais uma vez, com destaque para a química de "amor e ódio" entre Lucy (Ella Purnell) e o Necrótico (Walton Goggins), cujo nome verdadeiro antes da Grande Guerra era Cooper Howard. A série evidencia as relações humanas em um mundo pós-apocalíptico através de uma sátira política e socialmente ácida, que permanece afiadíssima. No fundo, a obra funciona como um lembrete cínico de que, enquanto o lucro e o poder estiverem acima da coletividade, a humanidade estará condenada a repetir seus ciclos de autodestruição. Isso prova que, de fato, a guerra — e a ganância humana — nunca mudam.
Em suma, a nova leva de episódios da série do Prime Video aposta em revelações, momentos tensos e críticas sociais certeiras, ainda que, em alguns pontos, a trama se apresente arrastada demais para uma parte do público.
Vale lembrar que Fallout foi renovada para uma terceira temporada, que deve chegar ao Prime Video em 2027.

Aspirante a crítico de cinema, jogador de Mobile Legends e leitor de quadrinhos; um cinéfilo nada cult.
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