All Her Fault transforma a mentira em motor dramático e entrega uma das experiências mais marcantes da TV recente
Com reviravoltas que surpreendem e uma atuação intensa de Sarah Snook, a série fala de culpa e amadurecimento de forma excelente

All Her Fault é aquelas séries que ficam na memória, não só porque é incrivelmente surpreendente, mas também porque é necessária num mundo lotado de pais negligentes, que não fazem o mínimo pelo filho e agem como se fossem o pai perfeito, diferente de como eles chamam a mãe: a chata que impõe regras.
A mentira cria uma bola de neve. Sempre que você faz alguma merda, usa dela para se safar e esconder o que houve. Mas a verdade vem, as consequências vêm, e não tem volta. Você estragou não só a sua vida, como a de todos. Errar é aprender, e a dor da verdade faz de você alguém imperfeito, mas melhor.

Contar alivia o peso, te faz começar a jornada do recomeço. Mentir te faz viver a mesma realidade de antes, mas agora ela não passa de uma mentira criada para esquecer. Lidar é humano, e ser humano é ser real.
Tem vários pontos que mostram a potência de All Her Fault para a TV, mas a atuação é o maior deles. Ela não só dá mais peso a tudo como sustenta a série. Sarah Snook é absurda, porque nos faz sentir a dor da protagonista mesmo quando essa dor não é nossa. O embrulho no estômago vem, e, assim como acontece com ela, também nos ensina. Esse é o poder das séries: ensinar.

All Her Fault é uma montanha-russa de reviravoltas e um retrato da mentira. É potente por não ser previsível e necessária por chocar e tocar mais fundo o público. A TV tem o poder de mudar vidas. Assistir amadurece, cria memórias, e são essas memórias que, mesmo pouco a pouco, revelam verdades sobre o mundo e sobre como sobreviver a ele.

Leonardo Bahia
Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.
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