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    Crítica | “Ne Zha 2” o épico chinês que conquistou o mundo

    O longa prova a força da animação chinesa com um épico de proporções tão fantásticas quanto sua bilheteria.

    Critica
    Lançamento
    Cultura asiática
    PAPierre Augusto
    ·25 de setembro de 2025·
    3 min de leitura
    Crítica | “Ne Zha 2” o épico chinês que conquistou o mundo

    A maior animação de todos os tempos é chinesa e retrata a cultura oriental. Não é exagero nenhum falar isso de "Ne Zha 2: O Renascer da Alma", que alcançou a bilheteria de US$ 2,2 bilhões. A produção furou a bolha do ocidente e mostrou a importância da desocidentalização do entretenimento.

    Com uma sequência direta do filme anterior e ainda na direção de Yu Yang, Ne Zha volta a ter seu corpo, mas com duas pequenas mudanças: agora está mais frágil e divide espaço com o espírito de Ao Bing. Para restaurar o corpo de seu amigo, Ne Zha deve passar por uma série de desafios para se tornar imortal e recuperar a flor de lótus, único artefato capaz de criar um corpo novo.

    Usando como base a saga Fengshen Yanyi, romance histórico chinês, nada mais justo do que transformar essa jornada em um épico. Tanto em termos de duração, reviravoltas e batalhas que extrapolam nosso senso do comum. Mas vamos por partes.

    Seu filme anterior, lançado em 2019, já surpreendia por ser uma produção praticamente desconhecida (pelo menos para nós), mas com ótimas cenas de ação e uma animação igualmente condizente. Agora isso foi elevado ao máximo, os 5 anos de produção podem ser vistos em tela, cada cena de luta se supera, com coreografias extremamente complexas, bem afinadas e acompanhadas por uma infinidade de elementos visuais surreais. Nos fazendo pensar se já vimos algo que chegasse perto disso (a resposta é não).
    Captura de tela 2025-09-25 143920.jpg

    Outro elemento que reforça o tom épico é justamente sua duração. Com duas horas e meia, o longa se empolga demais nas reviravoltas e na grandiosidade. Nem toda a beleza das cenas tira o cansaço do terceiro ato, em que a cada instante surge um novo elemento que garante mais 15 minutos de ação e melodrama. Ser mais direto nos conflitos seria muito bem-vindo.

    Mas um momento em que essa longa duração é bem aproveitada está no humor. A produção é muito menos “boba” que a anterior, com exceção do mestre Taiyi Zhenren, que continua sendo o estereótipo do gordinho atrapalhado. As piadas agora são mais inteligentes, misturando elementos do dia a dia com a fantasia e usando a personalidade forte de Ne Zha como escada para os momentos de alívio.

    A força do dragão chinês

    Todo esse fenômeno do cinema chinês acontece em um momento historicamente simbólico, marcado pela evidente queda das animações americanas, com Disney e Pixar recorrendo cada vez mais ao uso de remakes para um pastiche barato de nostalgia.

    Uma produção não ocidental, com uma história cultural tão enraizada, representa não só o poder do público chinês, que, apenas com o lançamento no seu país garantiu uma das maiores bilheterias da história, mas também como o público está sedento por novas histórias, culturas e personagens.

    TRAILER

    Captura de tela 2025-09-14 215635.jpg

    A animação chinesa chega aos cinemas brasileiros no dia 25 de setembro.

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    Pierre Augusto

    Pierre Augusto

    Jornalista crítico de “filminho” e amante de terror (até dos ruins). Ansioso demais para jogos online, singleplayer é vida.

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