Série mistura humor ácido, investigação e drama humano para falar sobre desejo, solidão e a busca por sentido

Em meio à melancolia, à bizarrice e a um humor assustadoramente ácido, DTF St. Louis traz uma narrativa que fala sobre as consequências da baixa autoestima em um mundo onde envelhecer virou sinônimo de defeito, e onde o simples prazer de se relacionar se torna um desafio tão grande a ponto de aplicativos de sexo casual se transformarem em uma saída fácil para um namoro morno e infeliz.

A narrativa acerta ao colocar todos os seus elementos como possíveis peças fundamentais para encontrar a cereja que faltava na resolução desse grande recheio que é a morte do personagem interpretado por David Harbour.
Com uma mistura de série investigativa e comédia ácida, a produção entende que o equilíbrio é a solução, e que o que realmente prende a atenção não é a morte investigada, mas sim a relação verdadeiramente humana que se desenvolve entre seus dois protagonistas: diferentes entre si, mas extremamente compatíveis.

A vida infeliz de um deles se torna a porta de entrada para movimentar a rotina monótona do outro, que, ao mesmo tempo em que noticia o tempo, percebe que sua própria vida precisa de um significado maior. É aí que adentrar um relacionamento conturbado e se tornar uma espécie de mártir para salvar essa relação passa a ser seu novo propósito.
A narrativa aborda a depressão de uma forma que nunca se torna pesada, utilizando um roteiro afiado para transformar a produção em algo altamente viciante. O ponto alto está justamente na forma como o roteirista conduz essa investigação.

A direção traz aquele clima de série premiada da HBO, mas o que faz DTF St. Louis ser, de longe, uma das melhores produções dos últimos anos do canal está em sua incrível capacidade de contar histórias.
E televisão é, acima de tudo, sobre isso. Poucas séries entendem isso tão bem.

Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.
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