A terceira temporada mergulha na mente do serial killer que inspirou clássicos do terror e expõe o perigo da romantização de criminosos reais.

A terceira temporada de Monstros é minha primeira porta de entrada nessa antologia do Ryan Murphy, mas de cara já gostei desse estilo mais macabro e focado no terror. Acho que ele acerta muito mais aqui do que quando aposta em novelas sem sentido como Doctor Odyssey.
Ed Gein mostra a vida perturbada do serial killer que serviu de inspiração para diversas obras de terror que se tornaram clássicos. Ed é esquizofrênico, e as falas e momentos que ele escuta ou não acabam moldando sua personalidade. Ele mata mulheres porque vê nelas a imagem de sua mãe abusiva. Se veste de mulher porque enxerga nisso uma forma de sexualizar a si mesmo na figura feminina, uma espécie macabra de prazer. Cada vez mais perturbado pelas “chamadas do além”, Ed passa a vestir peles femininas para satisfazer um fetiche doentio.
A temporada também mostra como obras como Psicose nasceram dessas histórias, ao mesmo tempo em que critica a forma como a sociedade idolatra serial killers. Essa romantização é perigosa, pois pode inspirar novos criminosos algo que a série deixa claro na cena final, quando vemos pessoas enxergando nos atos de Ed uma forma de validar seus próprios pensamentos doentios.

Há um diálogo em que o psiquiatra afirma que tudo está ligado à esquizofrenia, mas a série deixa claro que isso não é o único motivo. Doenças podem potencializar impulsos violentos, mas não são a raiz. Um serial killer pode ser formado por traumas profundos, como o relacionamento de Ed com sua mãe. A personalidade é moldada tanto pelas experiências de vida quanto por fatores genéticos. Ed se tornou esse ser desprezível por uma soma de elementos, mas nada, absolutamente nada, justifica seus crimes.
No fim, Monstros: Ed Gein não é apenas uma história sobre um assassino, mas um mergulho no lado mais sombrio da mente humana e no impacto que ela pode causar na cultura. A temporada nos lembra que por trás de cada “lenda do terror” existem vítimas esquecidas, e que a verdadeira monstruosidade não está no que o cinema criou a partir dele, mas no que Ed realmente fez. É uma obra perturbadora, que incomoda e ao mesmo tempo nos faz refletir sobre os limites entre ficção, fascínio e realidade.

Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.
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