Del Toro respeita o clássico e cria belas imagens, mas evita grandes mudanças na narrativa.

Existem lendas do cinema que transcendem a própria sétima arte, figuras que marcaram e moldaram aquilo que conhecemos e assistimos nas telas hoje. E, se muitas delas ainda estão vivas e atuando, devemos agradecer por poder ver, de tempos em tempos, novas obras que mostram o melhor que o cinema pode oferecer: um olhar cru sobre a realidade e sobre os problemas que moldam um povo e uma sociedade. Frankenstein é tudo isso, e Del Toro é um desses diretores fora da curva.
Assim como no livro, Frankenstein fala sobre preconceito e a importância de aceitar o diferente. Del Toro é mestre em abordar esse lado cruel da sociedade, algo que já explorou em obras como O Labirinto do Fauno, entre outras. Esta nova adaptação do clássico literário chega em um momento crítico da história dos Estados Unidos, em que ser “de outro lugar” se tornou um peso dentro de um país que prega uma falsa liberdade.
Del Toro entende o peso do tema e traz, de forma sensível, todos os dilemas em torno dessa figura tratada como monstro até pelo próprio criador. O criador, interpretado por Oscar Isaac, representa com precisão os desejos da elite onde a moral não se aplica, e tudo é permitido em nome da fama, do dinheiro e da busca pela vida eterna. E se algo dá errado? É mais fácil descartar, não é?

Essa visão atual funciona porque a obra não fica datada. Porém, a fidelidade de Del Toro ao livro talvez seja seu ponto mais negativo. A paixão do diretor pela história que o fez descrevê-la como “Aquele era o meu Messias! Meu Jesus Cristo.”, acaba limitando a oportunidade de criar uma versão realmente própria de um conto já tão conhecido. Em Pinocchio, Del Toro transformou um clássico em algo nunca antes visto, mesmo após tantas adaptações. Já em Frankenstein (2025), apesar de apostar em um monstro mais lúdico e fantasioso com o maravilhoso Jacob Elordi, ainda se prende à mesma estrutura da obra-base, inovando pouco e deixando menos da sua marca autoral.
A fotografia é deslumbrante, mostrando com precisão a essência de Del Toro: a fantasia. Mas falta “sal” na narrativa, aquele toque único que transforma uma obra em algo inesquecível. Frankenstein é uma boa adaptação, sim, mas seus pontos positivos se sustentam nos temas universais que o clássico já carrega e na habilidade de Del Toro em criar cenários fantásticos. Fora isso, acaba sendo mais uma adaptação de Frankenstein e apenas isso.

Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.
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