Visualmente impecável e tecnicamente ambicioso, o épico entrega uma experiência gigantesca, mas uma história que não acompanha o mesmo nível.

Uma das produções mais aguardadas de 2026 finalmente chegou aos cinemas nesta semana. A Odisseia, novo filme do diretor Christopher Nolan, estreia três anos depois do oscarizado Oppenheimer, lançado em 2023.
A Odisseia (2026) acompanha o herói grego Odisseu (Matt Damon) em sua difícil jornada de retorno a Ítaca após a Guerra de Troia. Enquanto enfrenta criaturas míticas e diferentes desafios pelo caminho, sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) lutam para proteger o reino dos pretendentes que exigem a escolha de um novo rei.
Primeiramente, essa produção nunca chamou tanto a minha atenção pela trama, mas sim pelo elenco de peso escolhido para o filme. Temos Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Mia Goth, Elliot Page e muitos outros nomes conhecidos. Pelo visto, Christopher Nolan realmente quis ostentar um elenco recheado de grandes estrelas de Hollywood. Será que conseguiu aproveitar todo esse potencial? Talvez.
A Odisseia foi filmado pensando na experiência IMAX, então assistir ao filme nesse formato certamente torna tudo ainda mais especial. É uma produção muito bem feita, visualmente bonita, com cenários impressionantes, excelente fotografia e uma direção tecnicamente impecável. No entanto, seu maior destaque, para mim, está no trabalho de som.
Nolan usa o som de maneira intensa para criar sequências extremamente eletrizantes. A mixagem é impecável e consegue transformar momentos relativamente simples em experiências muito mais impactantes dentro da sala de cinema.
Mas nem tudo são flores. A duração de 2h51 torna a experiência cansativa em alguns momentos. Algumas sequências parecem mais longas do que realmente precisavam ser e passam a sensação de que o diretor está estendendo certas ideias apenas para continuar exibindo toda a grandiosidade técnica da produção.
Outro ponto que me incomodou foi a falta de explicações sobre alguns elementos da mitologia grega. Talvez quem já conheça bem a história de Odisseu consiga acompanhar tudo com mais facilidade, mas, para quem chega sem tanto conhecimento prévio, como foi o meu caso, algumas criaturas e personagens simplesmente aparecem sem muita contextualização. Em determinados momentos, acabei me sentindo perdido.
Falando das atuações, Matt Damon e Anne Hathaway entregam, para mim, as melhores performances do filme. Não me surpreenderia ver os dois aparecendo na próxima temporada de premiações.
Mesmo sem conhecer profundamente a história de Odisseu, Matt Damon consegue construir muito bem o personagem e transmitir todo o peso de sua jornada. Já Anne Hathaway, mesmo tendo um papel mais coadjuvante e pouco desenvolvido, aproveita muito bem o material que recebe e entrega cenas impactantes sempre que aparece.
Infelizmente, o pouco desenvolvimento de Penélope também reforça um problema recorrente que vejo nos filmes de Nolan em relação às personagens femininas. Anne, no entanto, consegue superar essas limitações e se destacar.

Por outro lado, fiquei decepcionado com Tom Holland. Telêmaco deveria ser um dos personagens centrais da história, mas sua atuação não consegue transmitir a grandeza que o papel exige. Em uma produção desse tamanho, com um roteiro e uma direção de um cineasta vencedor do Oscar, senti que Tom não conseguiu acompanhar o nível das melhores performances do elenco.

Curiosamente, para mim, ele funciona muito melhor como Homem-Aranha no universo da Marvel do que aqui. É uma pena, principalmente porque existia bastante potencial para o personagem.
Robert Pattinson, por outro lado, surpreende positivamente. Não chega a entregar algo extraordinário, mas funciona muito bem dentro da proposta e, particularmente, me convenceu mais do que Tom Holland.

No fim, A Odisseia é um filme grandioso em escala, mas sua história, para mim, é apenas boa. Acompanhamos Odisseu enfrentando diferentes provações, porém muitos desses momentos lembram situações que já vimos em outras grandes aventuras épicas.
A narrativa não segue uma ordem completamente linear, algo que exige um pouco mais de atenção do público. Ainda assim, o longa compensa em suas poucas cenas de ação, que são muito bem dirigidas e visualmente impressionantes.
A Odisseia vale principalmente pelo espetáculo cinematográfico. A história não me conquistou por completo, mas é impossível negar sua qualidade técnica, especialmente no som, na fotografia e na direção.
Para quem procura uma grande experiência cinematográfica, principalmente em IMAX, definitivamente vale a pena conferir nos cinemas.


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