Entre o drama e a melancolia, ‘Dia D’ mescla paranóia e conspiração neste intenso drama de ficção-científica sobre a existências de aliens.

O novo filme de Steven Spielberg, intitulado de ‘Dia D’, segue o mundo entrando em colapso quando uma meteorologista, em plena transmissão ao vivo, é dominada por uma força invisível, perdendo a fala e emitindo sons perturbadores. Enquanto fenômenos inexplicáveis e sinais de controle mental em massa se espalham, um informante tenta expor segredos governamentais guardados por décadas. Diante da prova definitiva de que a humanidade não está sozinha, o pânico e o fascínio tomam conta de uma civilização confrontada pelo desconhecido.
Durante a Guerra Fria, a CIA e a KGB trabalhavam incansavelmente por informações que ajudassem a fomentar a guerra ideológica entre os EUA e a União Soviética, a fim de mostrar quem era bom e quem era mau em meio ao cenário político da época. Mas a guerra de informações privilegiadas, operações ultrassecretas e arquivos confidenciais geraram paranoia e desinformação massiva, não só para os envolvidos, mas para o mundo inteiro. E o novo filme de Steven Spielberg trabalha justamente sobre essa questão.
A obra, com 2 horas e 25 minutos, nos coloca em um dilema: "E se descobríssemos que não estamos sozinhos? Se alguém mostrasse ou provasse isso, te assustaria ou te confortaria?" A partir daqui, a atenção não vira apenas um detalhe qualquer: ela se torna um instrumento narrativo importante na compreensão do filme e de sua mensagem final.
Spielberg criou uma película intrigante, cheia de ideias e conceitos interessantes. Um deles é justamente a atmosfera de paranoia somada à conspiração governamental, conduzida pela organização secreta Wardex, que cria um estado de desespero e desordem ao longo do filme. A experiência se transforma em um jogo de sobrevivência e questionamentos para o espectador enquanto a narrativa avança.
Os personagens de Emily Blunt e Josh O'Connor evidenciam bem a proposta trazida por Steven Spielberg ao apresentar uma protagonista vulnerável, desesperada e corajosa, que tenta descobrir a verdade não só sobre si, mas também sobre "eles". Já o protagonista é inseguro, intenso e persistente, determinado a expor os segredos obscuros do governo. Além disso, a química entre os dois fica evidente, conectando-se imediatamente com o público, gerando identificação e funcionando muito bem em tela.

Emily Blunt e Josh O' Connor em uma das cenas do filme - Reprodução/Universal Pictures
É válido ressaltar a ousadia construída pela narrativa do filme ao trabalhar o medo da desinformação amparada em teorias da conspiração, instituindo assim a chamada paranoia coletiva, a manipulação midiática e o impacto da verdade quando ela surge de forma imprevisível e impossível de ser ignorada. Além disso, a trama ainda mescla temas religiosos e sociais, trazendo reflexões até contundentes sobre a existência de alienígenas.
Dia D não é uma das maiores obras-primas da filmografia de Spielberg, como também está bem longe de ser uma de suas piores produções. Ainda assim, o filme elabora sua premissa com maestria na maior parte da projeção. Embora, narrativamente falando, a trama se apresente lenta e nem sempre envolvente, ela constrói uma expectativa muito grande em torno do “dia da revelação”, o que pode causar uma sensação de frustração ou de “queria mais”.
No fim, o filme entrega uma aventura paranoica e ousada, que olha para questões acerca do nosso universo através das lentes da política, da tecnologia e da informação contemporânea, além de se inspirar em debates recentes sobre OVNIs, documentos desclassificados e investigações conduzidas pelos Estados Unidos acerca da possibilidade de vida extraterrestre.
NOTA: ⭐⭐⭐⭐ – 3.8/5.0
Dia D já está disponível nos cinemas.

Aspirante a crítico de cinema, jogador de Mobile Legends e leitor de quadrinhos; um cinéfilo nada cult.
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