Bugonia | Yorgos Lanthimos mergulha no absurdo para rir das teorias conspiratórias

Diretor de Pobres Criaturas transforma o delírio coletivo em comédia inteligente sobre ego, natureza e a obsessão humana por encontrar culpados.

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Bugonia | Yorgos Lanthimos mergulha no absurdo para rir das teorias conspiratórias

Bugonia, novo filme de Yorgos Lanthimos, aborda de forma leve e crítica os grupos conspiracionistas que veem todos os problemas do mundo como parte de uma verdade que “eles” escondem. Nessa história, essa suposta verdade é descoberta por duas pessoas que acreditam ser poderosas o suficiente para salvar a Terra e deter uma empresa multibilionária.

Desde o início da vida, a cadeia alimentar molda o que chamamos de natureza, cada espécie é crucial para o funcionamento do ecossistema. A extinção provocada pela ação humana, que modifica o ambiente conforme sua conveniência, causa danos irreversíveis e, dependendo da espécie afetada, pode até levar à extinção da própria Terra.

As abelhas, por exemplo, são peças fundamentais da vida: espalham o pólen e permitem a regeneração das florestas e o surgimento de frutos. A verdade é que toda extinção é consequência da humanidade, mas não existe uma mente oculta controlando o curso da vida na Terra. Teorias conspiratórias que distorcem a ciência para sustentar crenças são especialmente perigosas, justamente por se propagarem com facilidade.

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Bugonia brinca com essas ideias de forma irônica: começa levando o público a acreditar em suas ficções absurdas e, em seguida, escancara o exagero ao introduzir vertentes como os “atlantes” e outras loucuras, mostrando que não se leva a sério. A partir daí, o filme se aproxima de Pobres Criaturas: cada cena é mais insana que a anterior. Esse mergulho no surrealismo é o que consolida a identidade de Yorgos, que transforma o absurdo em inteligência, algo mais eficaz do que o “realismo caótico” de Kinds of Kindness. Esse é o grande acerto de Bugonia.

Ao mergulhar na comédia, Yorgos não apenas reafirma o talento de Emma Stone no gênero, como também prova ser um diretor versátil, capaz de transitar entre estilos sem perder sua assinatura. Ele não se prende ao que o consagrou no Oscar , arrisca, experimenta, e entende que errar faz parte do processo criativo. No fim, ser bom não é ser mestre; até o mestre pode ser aprendiz.

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Leonardo Bahia

Leonardo Bahia

Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.

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