5 filmes que mostram por que o terror brasileiro merece ser levado a sério

De Zé do Caixão a Juliana Rojas, o horror nacional mistura crítica social, ousadia estética e identidade cultural.

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5 filmes que mostram por que o terror brasileiro merece ser levado a sério

O gênero de terror tem extrema importância para a história do cinema mundial, embora só recentemente tenha começado a ser reconhecido com prestígio em grandes premiações, especialmente após a vitória de Corra! (Get Out) no Oscar de 2018, na categoria de Melhor Roteiro Original.

Embora parte do público brasileiro ainda acredite que o nosso cinema não possui longas do gênero macabro realmente relevantes, essa ideia está equivocada, afinal, ao longo da história da sétima arte, o Brasil retratou o terror de forma magistral e original.

É importante valorizar a riqueza do nosso cinema. Por isso, reuni uma lista que prova a relevância do Brasil no cenário mundial do gênero de horror.

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967)

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José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, fez história no cinema brasileiro ao levar o terror às telas em pleno anos 1960. Seus filmes sempre traziam o personagem icônico e as características que moldaram o universo autoral que ele criou.

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) foi o primeiro da franquia, mas aqui destaco Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), um grande exemplo de horror existencial e simbólico, que mistura elementos do expressionismo alemão, do cinema fantástico europeu e da cultura popular brasileira.

A história retoma a vida de Zé do Caixão após os eventos do primeiro filme. Convencido de que sobreviveu à morte, ele retorna à cidade em busca da mulher “pura” e “superior” que lhe dará o herdeiro ideal, submetendo várias mulheres a testes cruéis e assassinando as que considera indignas. O personagem é movido por um niilismo extremo e um desprezo pela religião, temas centrais na filmografia de Mojica.

Zé do Caixão influenciou gerações de cineastas, de Ivan Cardoso a Kleber Mendonça Filho, e consolidou Mojica como um autor cult no exterior.

Clube dos Canibais (2018)

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Clube dos Canibais surge como uma crítica à elite brasileira, usando metáforas e humor negro para explorar o abismo entre as classes sociais através de uma narrativa grotesca e provocadora. O longa faz parte do cinema de gênero nacional contemporâneo, que busca usar o horror como crítica social.

O diretor Guto Parente integra uma geração de cineastas nordestinos que vêm explorando o terror, o suspense e o surrealismo dentro do cinema independente.

A trama acompanha Otávio (Tavinho Teixeira) e Gilda (Ana Luiza Rios), um casal da alta sociedade que participa de um clube secreto formado por empresários e políticos, todos canibais. Eles se reúnem para devorar empregados e pessoas das classes mais baixas, em rituais sádicos que simbolizam o poder e a desigualdade social.

Tudo muda quando Gilda descobre que o presidente do clube (Pedro Domingues) guarda segredos ainda mais perversos, e a tensão se transforma em um jogo de sobrevivência e traição.

Morto Não Fala (2018)

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Morto Não Fala combina terror psicológico e sobrenatural, com uma atmosfera urbana e sombria. Dirigido por Denison Ramalho, o filme traz elementos do folclore e do realismo fantástico brasileiros em uma história de vingança e culpa.

O protagonista Stênio (Daniel de Oliveira) trabalha no Instituto Médico Legal e descobre ter um dom macabro: conversar com os mortos. Essas “conversas” fazem parte de sua rotina até que um cadáver revela uma traição pessoal, envolvendo sua esposa Odete (Fabiula Nascimento).

Exibido em festivais como o Fantaspoa e o Festival de Gramado, o longa consolidou Ramalho como um dos nomes mais promissores do terror nacional contemporâneo.

Sinfonia da Necrópole (2014)

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Sinfonia da Necrópole é um dos filmes mais originais do nosso cinema, misturando musical, comédia e fantasia macabra para contar uma história sobre memórias, segredos e a vida após a morte.

O longa passou por festivais como Brasília, Rotterdam e BAFICI, recebendo prêmios por direção de arte e trilha sonora. Ele consagrou Juliana Rojas como um dos principais nomes do “novo cinema fantástico brasileiro”, explorando o horror de forma poética, social e existencial.

A Própria Carne (2025)

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A Própria Carne é o primeiro longa-metragem original produzido pelo Jovem Nerd, através da produtora Nonsense Creations, em parceria com a Neebla Filmes.

Ambientado na Guerra do Paraguai (1864–1870), o filme acompanha três soldados brasileiros desertores que, em meio ao caos da guerra, encontram algo ainda mais aterrorizante que o próprio conflito.

A produção marca um movimento de expansão da cultura “nerd/pop” para o cinema de gênero, representando um novo passo para o audiovisual nacional , e uma esperança para o fortalecimento do terror brasileiro dentro da mídia mainstream.

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Leonardo Bahia

Leonardo Bahia

Estudante de Jornalismo e buscando meu glorioso propósito. Criador de conteúdo nas horas vagas e fã de cinema no geral, com uma paixão especial por filminho de boneco.

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